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Anjo Negro – Nelson Rodrigues

 

O elemento que direciona todas as ações humanas nesta obra de Nelson Rodrigues é a sexualidade, apresentada sempre de forma corrompida. O sexo está o tempo todo relacionado à violência e ao desejo proibido.

Parece haver uma preocupação do autor em perturbar o leitor, utilizando o choque para trazer à tona tudo o que está velado na sociedade. Trata-se de uma tragédia com um desfecho inesperado: embora tudo induza ao fato de que Virgínia será morta pelo marido, a história termina com a morte da filha de Virgínia, tramada pela própria mãe com a ajuda de Ismael.

Escrita em 1946, Anjo Negro rompe com características até então comuns ao teatro brasileiro, como a unidade temporal (história transcorrida ao logo de apenas um dia).

Gênero
Literatura Dramática

Narrador
Na literatura dramática não há um narrador, pois a história é contada em forma de diálogos.

Personagens principais
Ismael: Médico. Homem negro, inescrupuloso e violento. Profundamente recalcado em função de sua cor, diz à filha (Ana Maria) que é branco e a cega para que não perceba a realidade. Da mesma forma, há indícios de que tenha cegado o irmão de criação, branco, por uma ardilosa troca de remédios. Ismael ama o branco, mas com violência, o que fica claro pelo isolamento a que submete a mulher para que ninguém a veja.

Virgínia: Mulher de Ismael, branca, vítima da violência sexual do marido. Logo no início da trama, ela deseja o noivo da prima com quem é criada e se deixa possuir por ele. Ao descobrir a traição, a prima se enforca e a tia de Virgínia, para se vingar pela morte da filha, promove o estupro da sobrinha por Ismael. Virgínia desenvolve a arte da sobrevivência por meio da sexualidade, que é o que vai salvá-la no fim da trama.

Ana Maria: Filha branca de Virgínia, fruto de sua relação extraconjugal com Elias, irmão de criação de Ismael. Inexpressiva na obra, aparece apenas no terceiro ato. É enganada e abusada sexualmente por Ismael.

Elias: Irmão de criação de Ismael, branco. Tudo indica que foi cegado pelo irmão.

Tia (de Virgínia): Mulher vingativa, cruel e superprotetora das filhas.

Tempo
Não fica claro em que momento transcorre a história. Do segundo para no terceiro ato, há um hiato de aproximadamente 15 anos.

Espaço
Não há nenhuma referência à paisagem externa. Toda a história se passa no quintal, na frente e dentro da casa de Ismael.

Ênio José Ditterich, mestre em Literatura pela UFPR

Fonte: (materia publicada na Gazeta do Povo, no dia 17/10/2011)

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Felicidade Clandestina – Clarice Lispector

Reunião de 25 relatos curtos publicados semanalmente no Jornal do Brasil, em 1967, Felicidade Clandestina é considerado o livro mais autobiográfico de Clarice Lispector, reforçado pelo foco narrativo na primeira pessoa do singular. São crônicas independentes, mas há uma espécie de costura invisível entre elas que garante unidade e a ideia de um narrador constante.
O aluno que apenas lê o texto sem interpretá-lo subjetivamente pode ter problemas, já que o texto de Clarice não é objetivo e sua busca está no significado existencial do ser humano. A UFPR costuma testar os conhecimentos do vestibulando quanto ao contexto histórico da obra. Neste caso, o aluno deve estudar os traços do Modernismo e saber dimensionar Clarice Lispector na terceira geração, marcada pela reflexão, inovação estilística e o uso de metalinguagem.

Gênero
Contos

Narrador
Narrativa em primeira pessoa do singular, recurso que por vezes mescla a noção de personagem e autor. Em alguns contos é possível identificar personagens como alter-egos de Clarice, como a menina do conto-título de Felicidade Clandestina.
Personagens principais
Ainda que distintos em cada crônica, trazem características semelhantes. São tipos comuns, irrelevantes aos olhos da sociedade, em cenas corriqueiras do cotidiano. Entretanto, a autora valoriza seu momento interior e cristaliza seu processo de epifania – revelação, descoberta diante de um acontecimento mínimo, mas capaz de transformar a perspectiva dos personagens. Apesar de minuciosamente descritos, sua descrição não é objetiva. Em Clarice, a descrição física é apenas um atalho para a descrição psicológica. Os personagens do livro não têm nome, o que gera maior identificação e provoca a catarse do leitor, que é capaz de sentir emoções de vivências que não são suas.

Tempo
Assim como o conteúdo analítico dos contos, o tempo também não é objetivo. O fluxo de consciência em Clarice Lispector torna embaçada a noção de tempo. No conto-título, sabe-se que o tempo é a infância, embora ao final a autora evidencie o processo de amadurecimento da protagonista. De forma geral, há uma percepção temporal alterada, já que a ação do conto pode ter se passado em poucos dias, mas tem-se a impressão de que o suplício da menina durou uma eternidade.

Espaço
A construção espacial é simples, retratando o cotidiano infantil de uma menina comum em Recife. Mas Stella Bello lembra: “Felicidade clandestina é uma obra metafísica, que rompe com os limites de espaço-tempo por meio do fluxo da consciência, característica que a autora explorou de várias formas, sempre mantendo uma estética própria.”

Stella Bello, Especialista em Literatura Brasileira e professora da disciplina no curso Dynâmico.

Fonte Gazeta do povo, 17/10/2011

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Inocência – Visconde de Taunay

Publicado na segunda metade do século 19, o romance Inocência pertence à vertente do Romantismo conhecida como regionalismo romântico, caracterizada por apresentar paisagens, costumes e comportamentos típicos de determinadas regiões do Brasil. É nesse aspecto, aliás, que a obra se aproxima do Realismo. Os aspectos do Romantismo podem ser percebidos nos temas trabalhados pelo autor: a idealização do amor e o final trágico.

O dualismo na obra também está presente no enredo e na linguagem. Há uma nítida oposição entre o mundo rural, representado por Pereira, e o mundo urbano, na figura de Meyer. Também há um mescla entre a linguagem culta (expressa pelo narrador) e a linguagem regional (especialmente no discurso de Pereira).

Gênero
Romance

Narrador
Em terceira pessoa e onisciente.

Personagens principais

Pereira: Pai de Inocência. Homem rude, com visão machista e patriarcal, como demonstra o trecho a seguir: “Esta obrigação de casar as mulheres é o diabo! Se não tomam estado, ficam juraras e fanadinhas…; se casam podem cair nas mãos de algum marido malvado… E depois, as histórias! Ih meu Deus, mulheres numa casa, é coisa de meter medo… São redomas de vidro que tudo pode quebrar… Enfim, minha filha, enquanto solteira, honrou o nome de meus pais… O Manecão que se agüente, quando a tiver por sua .. Com gente de saia não há que fiar… Cruz! botam famílias inteiras a perder, enquanto o demo esfrega um olho.”

Inocência: Bela, pura e ingênua. É um exemplo de idealização romântica.

Meyer: Naturalista alemão que pesquisa os insetos da flora brasileira. Representa o mundo urbano e civilizado, que se opõe à concepção machista de Pereira. Essas duas visões de mundo entram em conflito quando Meyer elogia a beleza de Inocência. O que para ele é algo normal, corriqueiro, para Pereira representa uma ofensa, uma transgressão da boa conduta dentro de uma casa de família.

Cirino: Homem bom, mas fraco, que se auto-intitula médico quando na verdade não passa de um curandeiro. Apaixona-se por Inocência e é assassinado por Manecão.

Manecão: Homem rude e violento para quem Inocência está prometida.

Tico: Anão mudo que vigia Inocência.

Tempo
A narrativa se desenrola em meados do século 19.

Espaço
Sertão do Mato Grosso.

João Amálio Ribas, professor em Curitiba do Acesso e do Bom Jesus e, em Ponta Grossa, dos colégios Marista e Sagrada Família.    Fonte Gazeta do povo, 17/10/2011

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Lucíola – José de Alencar

Este romance de José de Alencar conta a história de Lucíola (Lúcia), uma prostituta de luxo do Rio de Janeiro do século XIX.

Paulo, rapaz do interior, vem para o Rio de Janeiro e conhece Lúcia, sem saber da sua real identidade, e se sente atraído por ela. Couto, seu amigo, acaba com a ilusão de Paulo contando-lhe da sua verdadeira profissão. Paulo não desiste, vai até a casa dela e os dois passam a noite juntos. Mas Lúcia volta atrás e, depois disso, retorna à vida que levava.

Mas ela se arrepende e os dois decidem ficar juntos. Os dois se mudam para uma casa pequena, muito diferente da antiga mansão de luxo de prostituição. Nesse momento, Lúcia revela a Paulo o seu verdadeiro nome, Maria da Glória. No surto de febre amarela, em 1850, todos os seus familiares ficaram enfermos. Ela, para comprar remédios, se entrega a Couto aos 14 anos, mas o pai, sabendo do ocorrido, a expulsa de casa. Depois da morte de sua amiga Lúcia, ela adota esse nome e simula a família o próprio falecimento. Com o dinheiro adquirido nos últimos anos, se responsabilizava por arcar com os estudos da sua irmã Ana.

Passa o tempo e Lúcia fica grávida, mas, logo em seguida, ela adoece. A enfermidade é para ela o castigo pelos seus pecados. Ela confessa seu amor a Paulo, se recusa a fazer o aborto e pede que ele se case com sua irmã Ana. Paulo se recusa e ela morre.

Paulo assume os cuidados de Ana e esta se casa com um bom homem. O protagonista permanece sozinho e infeliz com a falta do seu verdadeiro amor.

Análise

José de Alencar constrói, nesse romance urbano, a purificação da alma de Lucíola. Os seus erros do passado não são perdoados no amor romântico, por isso ela não pode ser feliz.

O livro também faz uma crítica contra o preconceito. Paulo tem dificuldades de escolher entre o seu amor e as consequências da sua paixão por uma prostituta.

Tempo

Metade do século XIX, Segundo Reinado. A narração é cronológica, ou seja, os fatos ocorrem em sequência.

Narrador

Narrado em primeira pessoa, por Paulo, por meio de cartas enviadas a uma senhora.

Curiosidade

Lucíola é o nome de um inseto noturno que brilha nos charcos.

Marcelo Müeller, professor do Curso Pré-Vestibular Dom Bosco. Fonte: Gazeta do povo, 17/10/2011

 

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Urupês – Monteiro Lobato

 

Apesar de Monteiro Lobato representar a transição entre o Realismo/Naturalismo e as correntes do Modernismo, o autor se indispôs profundamente com os escritores modernistas da primeira geração, que responderam a Urupês com a obra Juca Mulato, de Menotti del Picchia. Entre os traços típicos de Monteiro Lobato, estão o tom moralizante e didático que também aparece nas obras infantis do autor, além de sua obsessão pela linguagem e gramática

Narrador

Varia entre primeira e terceira pessoa. Na explicação do mestre em Literatura Enio José Ditterich, o típico narrador de Monteiro Lobato é aquele “contador de causos”, um personagem que ouviu a história que está reproduzindo.

Personagens

Monteiro Lobato apresenta o homem como produto do meio, e utiliza traços do expressionismo alemão para compor muitos dos personagens de Urupês, incluindo o caboclo Jeca Tatu da crônica-título do livro. “Dentro da estética expressionista, o mais evidente é o Bocatorta, criatura grotesca apresentada em um dos contos do livro, semelhante ao Corcunda de Notre Dame”, compara Enio Ditterich. Tipos oportunistas, como o malandro vigarista, estão presentes em Urupês, como no conto O comprador de Fazendas. Ênio sugere atenção redobrada na leitura da crônica que nomeia o livro, mas avisa que é preciso compreender muito bem o contexto histórico-social brasileiro do período a que pertenceu Monteiro Lobato, pois o autor está intimamente relacionado a ele.

Tempo
Está vinculado ao período do autor, portanto retrata o Brasil das primeiras décadas do século XX. “Costumo dizer que Monteiro Lobato é o homem que inventou a máquina do tempo, porque suas descrições minuciosas de um Brasil primitivo, arborizado e provinciano fazem o leitor ser transportado para o período em que a história é narrada”, revela Enio Ditterich.

Espaço
Em Urupês, o espaço é bem definido, enfocando a paisagem do interior do estado de São Paulo, onde nasceu o autor. Lobato faz uma descrição detalhada da geografia, fauna e flora da região, o que pode ser enfadonho especialmente para o leitor urbano. “Por conta da destruição do meio ambiente, muitas espécies descritas pelo autor em Urupês já não existem mais e, portanto, são desconhecidas do leitor mais jovem”, avalia. Nesse sentido, a obra está presa a seu tempo e espaço particulares. Mas, se o leitor tem conhecimento e curiosidade, irá descortinar um novo mundo”, afirma. Para Enio Ditterich, Monteiro Lobato tinha uma postura altamente ecológica bem antes deste termo estar na moda.

Coletânea de contos e crônicas em que o pré-modernista Monteiro Lobato inaugura um tipo de regionalismo crítico e mais realista do que o pitoresco e fantasioso praticado anteriormente, no Romantismo. A crônica que dá título ao livro, Urupês, traz uma visão depreciativa do caboclo brasileiro, o “fazedor de desertos”, estereótipo contrario à visão romântica dos autores modernistas.

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Romanceiro da Inconfidência – Cecília Meireles

Publicado em 1953, Romanceiro da Inconfidência é um poema lírico-narrativo de viés histórico que evoca em versos os personagens e o contexto da Inconfidência Mineira.

A obra destoa do conjunto de Cecília Meireles, pois ela distancia-se de sua condição de poeta neo-simbolista e dos ideais da segunda fase modernista para mergulhar no arcadismo do século 18. Pode haver confusão quanto à caracterização do “boom minerador”, o que pode se evitar se observados os elementos da tradição lendária (caçador que se embrenha na mata, a donzela assassinada pelo pai, os cantos do negro nas catas, a que se podem associar os romances Do Chico-Rei e o De Vira-e-Sai) e os elementos da tradição histórica (Chica da Silva, o ouvidor Bacelar, a cobiça do conde de Valadares e as ideias de libertação relacionadas ao momento histórico).

Forma

Romanceiro da Inconfidência é, na verdade, um grande poema em prosa composto a partir de cinco eixos temáticos: ambiente e contexto; articulação e fracasso; morte de Claudio Manuel da Costa e Tiradentes; infidelidade de Gonzaga e Alvarenga; conclusão e D. Maria I. Para o professor Marlus Geronasso, este pode ser considerado um dos livros mais difíceis do Vestibular da UFPR, porque exige do aluno um conhecimento prévio dos ideais árcades. A linguagem também pode ser um dificultador para quem conhece a obra de Cecília Meireles, já que a autora distancia-se do coloquialismo e resgata expressões em desuso da língua portuguesa.

Personagens

O leitor vai encontrar menções a conhecidos personagens da Inconfidência Mineira, como Cláudio Manuel da Costa e as circunstancias misteriosas envolvendo sua morte, o poeta árcade Tomás Antonio Gonzaga e a Marília de Dirceu, o minerador José de Alvarenga Peixoto e sua esposa Bárbara, além do mártir Tiradentes.

Tempo

Embora a obra não adote uma cronologia e passagem temporal, ela está situada no século XVIII e abrange desde o período que antecede a revolta até a morte dos inconfidentes, quando Cecília Meireles homenageia os heróis da tragédia mineira.

Espaço

A autora não faz alusões diretas ao espaço geográfico evocado na narrativa, já que sua intenção é valorizar os personagens da história, mas sabe-se que o palco dos acontecimentos é a cidade de Vila Rica, centro do poder da então capitania de Minas Gerais, hoje Ouro Preto.

Fonte: Marlus Humberto Geronasso, professor de Literatura do curso Unificado e coordenador do projeto Eureka, da TV Educativa do Paraná.

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Poemas escolhidos – Gregório de Matos

Livro que reúne poesias do grande autor barroco Gregório de Matos, organizadas por José Miguel Wisnik.

Gregório de Matos participa do Barroco, período literário que vai de 1601 a 1768. O Barroco convive com a Contra-Reforma, época em que a Igreja reage à reforma protestante de Lutero.

Existem duas visões antagônicas nesse período. De um lado, a Igreja Católica, com uma visão teocêntrica em que Deus é considerado o centro do Universo. Da outra parte, estão os pensadores do fim do Renascimento que ainda tinham influência sobre a sociedade e propagavam o antropocentrismo, ou seja, a primazia do humanismo. A arte barroca nasce do conflito dessas duas visões.

Gregório de Matos viveu na Bahia, no início da época colonial brasileira, e consegue retratar todas essas dualidades vividas pelo homem barroco.

No autor é possível encontrar uma vertente religiosa e sacra, outra satírica e mundana e uma terceira, a lírica. As três são contempladas no livro Poemas Escolhidos.

Poesia sacra
Gregório de Matos aparece contrito, arrependido das suas faltas.

Poesia satírica
Em alguns poemas, o poeta faz uma crítica contundente aos problemas da sociedade da época, a pessoas de todas as classes sociais. Em outros, mais sensuais, faz uso de termos obscenos. Por isso, o autor recebeu o apelido de “Boca do Inferno”.

Poesia lírica
É a de menor interesse. O autor faz homenagem às suas musas.

LinguagemGregório abusa de paradoxos e antíteses, de aproximações de ideias opostas, de sinestesias, da linguagem rebuscada e complexa e de inversões sintáticas.

Fonte: João Amálio Ribas, professor em Curitiba do Acesso e do Bom Jesus e, em Ponta Grossa, dos colégios Marista e Sagrada Família.

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O bom crioulo – Adolfo Caminha

Publicado em 1895, o livro conta a história da paixão homossexual do marinheiro negro Amaro, o “bom crioulo”, pelo jovem Aleixo. Os dois se conhecem em uma embarcação e, depois de algumas peripécias, ficam juntos. Passa o tempo e Aleixo trai Amaro com uma mulher mais velha, que o seduz. Amaro encontra os dois juntos e mata o rapaz.

Sendo um livro naturalista, o texto apresenta sem eufemismos os subúrbios sórdidos do Rio de Janeiro, no final do século XIX. Além do homossexualismo, o livro aborda a vida difícil dos marinheiros dessa época, com trabalho duro e torturas.

Tempo e espaço
A história acontece em dois lugares, na corveta, o barco onde trabalhavam Amaro e Aleixo, e na Rua da Misericórdia, na periferia do Rio de Janeiro.

Ideias importantes
- O livro defende a tese do determinismo. Os personagens não são livres para seguir condições diferentes daquelas em que estão.

- Caminha, com o texto, quer criticar a sociedade da sua época, a qual considerava hipócrita.

João Amálio Ribas, professor em Curitiba do Acesso e do Bom Jesus e, em Ponta Grossa, dos colégios Marista e Sagrada Família.

Fonte Gazeta do povo 17/10/2011

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Novas diretrizes em tempos de paz – Bosco Brasil

O livro é uma peça de teatro escrita por Bosco Brasil. A obra foi escrita em 2001, encenada pela primeira vez em 2002 e publicada apenas em 2005. Narra a história de um judeu polonês Clausewitz, refugiado da Segunda Guerra Mundial, que tenta conseguir, depois de já ter obtido o visto, o carimbo de entrada no Brasil. O polonês depende da boa vontade de Segismundo, um antigo policial torturador, acostumado à brutalidade, que agora trabalha na polícia política do governo.

Clausewitz se apresenta como agricultor e insiste em convencer o duro Segismundo a dar-lhe a nacionalidade brasileira. O Brasil, advoga o polonês, precisa de pessoas como ele para a lavoura. Segismundo, decidido a negar a petição, desafia o polonês a fazê-lo chorar e promete conceder o visto caso ele o consiga. Clausewitz começa então a declamar fragmentos da obra “A vida é sonho”, do autor espanhol Pedro Calderón de la Barca, cujo protagonista também se chama Segismundo. O policial, que não conhecia a obra, começa a derramar lágrimas. Surpreendido com a própria reação, Segismundo decide conceder o salvo-conduto a Clausewitz.

Nesse momento, o polonês revela a sua verdadeira profissão: ator. O livro termina com uma ode à arte e ao teatro com a tese de que o Brasil não precisa de mais agricultores e sim de mais teatro:

“(…) Olha, eu sei que o Brasil precisa de braços para a agricultura, mas eu sou ator. Esta é a minha profissão. Eu ainda não sei para que serve o Teatro no mundo depois da Guerra. Só sei que eu tenho que continuar a fazer o que sei fazer. Um dia alguém vai saber para que serve. Se serve. Para mim me basta fazer. Fazer teatro”, afirma Clausewitz.

Tempo e espaço
Toda a história acontece no dia 18 de abril de 1945, na alfândega do Rio de Janeiro.

Característica do livro
A obra é metalinguística, ou seja, usa a linguagem para falar da própria linguagem. No caso de “Novas Diretrizes em Tempos de Paz”, o autor adota uma peça de teatro para discutir a função do gênero teatral.

Professor Fábio Bettes, do Curso Positivo.

Fonte: Gazeta do povo 17/10/2011